


Toda cidade é feita também do que não se vê: do que foi sussurrado em segredo, contado ao redor de fogueiras ou à luz de lanternas. Malassombras parte de histórias que não se inscrevem em grandes monumentos, mas habitam as frestas da história oficial. São vozes abafadas, imagens que retornam, narrativas que sobrevivem pela repetição e pela reinvenção.
Os fantasmas que percorrem Paraty e região são manifestações de algo que insiste em permanecer. Fragmentos de memórias, gestos recorrentes, modos de dizer e de silenciar. Nessa perspectiva, o fantasmagórico refere-se tanto ao passado quanto ao que escapa e perpassa o presente, às vezes de maneira inesperada, àquilo que pulsa nos sonhos, nos desejos e nas assombrações do cotidiano.
A exposição compõe uma maré visual de narrativas estampadas em estêncil, que flutuam entre o real e o imaginado, o vivido e o fabulado. A partir da escuta e da criação gráfica, essas histórias ganham corpo em bandeiras produzidas no próprio espaço expositivo e erguidas ao longo dos dias de trabalho. Essas bandeiras - documentos visuais dos imaginários que habitam a cidade - estão instaladas no Sesc Paraty e em diferentes pontos da cidade, formando um arquivo em expansão.
Ao propor oficinas de escuta e de experimentação gráfica, Malassombras se constrói como um ateliê em movimento, um espaço de montagem contínua. A metodologia inspira-se nas experiências do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube - espaço coletivo criado pela artista Mônica Nador, na zona sul de São Paulo, em que há mais de 20 anos se desenvolvem processos artísticos fundamentados na escuta, na partilha e na construção de imagens a partir da presença. O ateliê funciona como um espaço de encontro, no qual o fazer gráfico se mistura à conversa, à memória e às trocas entre pessoas, histórias e formas.
Mais que representar fantasmas, sonhos e aparições, a exposição nos convida a escutá-los e reconhecê-los como parte da trama viva de Paraty. Vozes que percorrem o tempo e revelam outras maneiras de ver, pensar, lembrar e habitar o território.
JAMAC
Ageu Pereira, Bruno o., Izabel Gomes, Jadiel Pereira, Mônica Nador, Rayana Paixão e Thais Scabio




















JAMAC: Ageu Pereira, Bruno O., Izabel Gomes, Jadiel Pereira, Mônica Nador, Rayana Paixão e Thais Scabio
Curadoria: Bruno O.
Produção: Thiago Vaz
Projeto Expográfico: Fred Costa
Montagem fina: Ck Martinelli e Luiz 83
Cenotécnico: Vagner Preto e Caio Nardes
Peças de marcenaria e cavaletes: TiLuArtes em Madeira
Oficinas e Escutas: Aldeia Itaxim Guarani M’Biá Paraty Mirim, Associação Cultural Recreativa e Folclórica de Tarituba, Terminal Rodoviário Municipal de Paraty, Colônia de Pescadores Z-18 Paraty, Feira da Agricultura Familiar e Economia Criativa de Paraty
Participaram das oficinas: Adail, Agostinho, Alex, Alexandre, Alzenir, Andreia, André, Angela, Ângela, Aninha, Antoni, Arthur, Benedita, Benedito, Benedito, Carla, Cleide, Claudio, Cleozilda, Costelinha, Coxinha, Dezinho, Dinho, Dora, Emanoel, Eliana, Eliane, Fábio, Fernando, Flora, Francisco, Gabi, Gleice, Grazi, Guilherme, Helena, Iago, Isac, Jacó, Jaconias, Joaquim, Jerônimo, João, José Alexandre, Julia, Julia, Juliana, Julio, Juvita, Leandro, Lilian, Lucio, Lucilia, Luis, Luiz, Luiz, Luzinete, Maneco, Manoel, Márcio, Maria Alice, Mari, Marli, Maurília, Nayana, Nilton, Noel, Osmarina, Otacílio, Paula, Regineia, Ricardo, Rogério, Rodrigo, Ronaldo, Rosa, Sayuri, Seu Dito, Theo, Ticote, Tuca, Vanderson, Vera, Vivi, Violeta, Zé Elias, Zileia e mais um monte de gente!
Contribuíram para a realização deste trabalho: Antonio, Arthur, Cesar, David, Fábio, Fernando, Gabriel, Gabriella, José, Julia, Julia, Larissa, Pedro, Priscila, Rogério, Silvia, Vanderson e Violeta
Roda de Causos: Mestres Nilton de Aguiar e Benedito Bulhões
Agradecimentos: Polo Sociocultural Sesc Paraty
Paraty | 2025
